22.4.07

Rádios comunitárias

Desde o ano passado as rádios livres e comunitárias têm sido alvo de repressão por parte do governo federal. O que está por trás disso é a perpetuação de um sistema essencialmente unilateral que permite acumular, nas mãos de poucos o poder e o direito da comunicação. Isso implica em manter as maiorias sociais apenas como receptoras de mensagens. Limita a capacidade da maioria social de pensar, se organizar e reivindicar. Aumenta consideravelmente o poder político e econômico dos grupos minoritários.Portanto, tal repressão é a negação da autonomia de todo um segmento social. Não se trata apenas de se indignar, mas acima de tudo, de não deixar calar o nosso direito à livre expressão e à livre comunicação.

No vídeo abaixo podemos perceber o quanto essa repressão causa indignação, mas percebemos também o quanto ela une as pessoas na luta por um ideal comum.

Fechamento da Rádio Heliópolis

O professor está doente

Reproduzo abaixo trechos da matéria publicada na Revista Educação (edição 119):Sob pressão



O professor está doente. Excesso de trabalho, indisciplina em sala de aula, salário baixo, pressão da direção, violência, demandas de pais de alunos, bombardeio de informações, desgaste físico e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros.

Profissionais de saúde e de educação dão cada vez mais atenção a fatores que afetam a saúde psicológica do professor. Ainda que pouco seja feito em termos de políticas públicas e educacionais para prevenção, acompanhamento e tratamento de casos genericamente classificados como de estresse, pesquisas começam a identificar a origem do mal e a apontar caminhos para mudanças.


Partindo da hipótese de que as condições de trabalho - excesso de tarefas e ruídos, pressão por requalificação profissional, falta de apoio institucional e de docentes em número necessário, entre outras - geram um sobreesforço na realização de suas tarefas, o estudo conclui que os resultados aferidos nas diversas cidades são convergentes e que os professores estão mais sujeitos que outros grupos a terem transtornos psíquicos de intensidade variada.


Um dos problemas mais comuns na atividade de educador é a síndrome de burnout. Suas causas estão na ocupação profissional, principalmente entre trabalhadores que lidam diretamente com pessoas e demandas variadas. É comum entre médicos, enfermeiros, policiais e, é claro, professores.

Vista como epidemia no meio educacional, essa síndrome não é exclusividade brasileira. Estudos na década de 1980 já apontavam altíssima incidência do problema entre os docentes norte-americanos. Entretanto, por estar sendo estudada há relativamente pouco tempo, ainda é difícil avaliar o desenvolvimento do burnout nas diferentes atuações profissionais. De qualquer maneira, as mudanças sociais das últimas décadas - que, para ficarmos no caso brasileiro, alteraram a cultura e os interesses do alunado, aumentaram a violência nos centros urbanos e diversificaram e intensificaram o acesso à informação - entraram na escola e tornaram-se fatores motivadores de estresse entre os professores.

A Universidade de Brasília (UnB) realizou, a partir de um acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), uma grande pesquisa nacional no final da década passada sobre o burnout com 52 mil trabalhadores em 1.440 escolas. Esse trabalho foi publicado no livro Educação: Carinho e Trabalho (Editora Vozes, 434 páginas). Os resultados mostraram que 48% dos entrevistados apresentavam algum sintoma da síndrome.

Para a pesquisadora Iône Vasques-Menezes, da UnB, desvalorização da carreira docente concorre para o aumento dos problemas psíquicos dos professores
A coordenadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, Iône Vasques-Menezes, destaca no meio desses números preocupantes que, de certa forma, o profissional está mais sujeito ao burnout, pois a situação da sociedade é outra. Ela lembra que até o início da década de 1960 o professor era valorizado.

Uma pesquisa mais recente, de 2003, feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresentou resultados semelhantes: 46% dos professores já tiveram diagnosticado algum tipo de estresse - entre as mulheres esse número chega a 51%.



A deterioração

Celso dos Santos Filho é médico residente do setor de psiquiatria do Hospital do Servidor, em São Paulo. Ele diz que atende a um número considerável de professores que buscam ajuda psiquiátrica com os mais diversos transtornos. "Há uma desvalorização gradual do papel do professor. Ele se sente cada vez menos valorizado, o que afeta a prática profissional e a auto-estima", conta. Tais perturbações deságuam em "dificuldade para ir ao trabalho, insônia, choro fácil". O médico nota que as reclamações mais comuns desse sentimento de depreciação da atividade apontam para a falta de autoridade sobre os alunos e para a ausência de apoio institucional e das famílias dos alunos.

Existem dados que balizam a fala do psiquiatra: a Unesco fez, em 2002, uma grande pesquisa sobre o perfil do professor brasileiro. Em uma das questões sobre a percepção que tinham do próprio trabalho, 54,8% afirmaram ser um problema manter a disciplina em sala de aula; 51,9% mencionaram as características sociais dos alunos; e 44,8%, a relação com os pais. Outros pontos críticos estão relacionados com o volume de trabalho e a falta de tempo para preparar aulas e corrigir avaliações. De todo modo, as questões que envolvem relações humanas, que são a essência da educação, demonstram ser obstáculos difíceis para os professores.

A síndrome do esgotamento profissional,conhecida como síndrome de burnout,foi batizada nos anos 70. O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja, queimar completamente, consumir-se.

"A gente deixa de fazer o trabalho para ficar chamando a atenção de aluno para tirar o pé da cadeira e para fazer silêncio. Isso os pais deveriam ensinar", revolta-se uma professora da rede pública paulista. "Nas reuniões, os pais dos alunos que não têm problemas aparecem; os que têm, raramente vão." A psicóloga e professora da PUC-Campinas, Marilda Lipp, concorda com a professora: "As crianças estão mal-educadas. Mas ao mesmo tempo em que os pais desvalorizam os professores, passam a eles a responsabilidade de educar os filhos".


De acordo com uma pesquisa orientada pelo psicólogo e professor da UERJ, Francisco Nunes Sobrinho, um fator determinante do burnout é a idade do professor. Pelos resultados, educadores mais jovens fazem uso exagerado de "controle aversivo". "Eles, por exemplo, gritam mais com o aluno para tentar controlar a disciplina. Se o professor ameaça demais, ele também pode criar um clima de estresse", explica.

Problema abrangente

A deterioração da atividade docente não acontece apenas no ensino público, o privado também sofre de mal semelhante. "A relação entre professor e aluno se transformou em relação professor-cliente", condena Rita Fraga, diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP). Apesar de trabalhar com profissionais da rede particular do Estado, ou seja, que supostamente figuram entre os mais bem remunerados do país e com uma boa infra-estrutura de ensino disponível, o sindicato nota um aumento do estresse no seu público. Rita avalia que muitos professores são pressionados pelos interesses mercadológicos da escola e, assim, muitas vezes não têm suporte da instituição em situações de enfrentamento com os alunos. "Com medo de perder o emprego, ele se sujeita a esse tipo de situação."

A psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Alexandrina Meleiro, demonstra

Medo de perder o emprego gera submissão de docentes, alerta Rita Fraga, do Sinpro-SP
que esse problema de instituições privadas existe nos casos que atende, principalmente de professores do ensino superior: "Em algumas (instituições), os alunos fazem um motim contra o professor e a escola prefere demitir o profissional a ficar do lado dele", relata.

Entretanto, ela identifica que a maior quantidade de casos está no ensino fundamental. "São professores com problemas somáticos - depressão, ansiedade, às vezes síndrome do pânico - e, em alguns casos, se houve um assalto na escola, por exemplo, depressão pós-trauma", diagnostica. De acordo com Alexandrina, "entre 30% e 40% acabam desistindo da profissão, o que caracteriza que o problema é decorrente da ocupação".

O tratamento, segundo a psiquiatra, varia muito. "Dependendo do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos."

48% das pessoas que trabalham em escolas apresentam algum sintoma de estresse, segundo pesquisa realizada em âmbito nacional pela Universidade de Brasília

Uma preocupação de Alexandrina é com a violência. Chaga dos grandes centros urbanos do país, a violência é apontada por muitos pesquisadores como um fator estressor importante que atinge comumente os professores que lecionam em escolas situadas em regiões de risco, com altos índices de criminalidade e, em alguns casos, presença do tráfico de drogas. Ainda que a violência possa atingir direta ou indiretamente qualquer um, "a gente tem de dar um enfoque maior para a escola, pois ela lida com a criança e com o adolescente que serão cidadãos, e é nesse meio que a violência é cultuada", alerta a psiquiatra.

Origens múltiplas

"O burnout é uma síndrome multideterminada, ou seja, uma combinação de fatores facilita o surgimento dela", explana Iône Vasques-Menezes, da UnB. Dessa maneira, ainda que as dificuldades com disciplina, desvalorização da atividade e exposição à violência despontem como seus principais causadores, não se pode desprezar outros motivadores das doenças psicossomáticas dos professores.

Para a psicóloga Marilda Lipp, ao mesmo tempo em que desvalorizam os professores, pais confiam a eles a educação dos filhos
Marilda Lipp, da PUC-Campinas, cita o tecnoestresse, que seria o contato cada vez mais freqüente com tecnologias em sua atividade escolar, o que demanda conhecimento de processos e, em muitos casos, um aumento da carga de trabalho para fazer relatórios via rede, por exemplo.






Por onde começar?

Como as causas dos problemas psicológicos dos professores têm origens distintas, os caminhos para sua solução também são variados. A presidente da CNTE, Juçara Vieira, lembra do que é óbvio para começar a valorizar a profissão, mas que costuma ser esquecido com assustadora regularidade: o salário. "O importante é se ter um piso salarial que permita, por exemplo, trabalhar para apenas uma escola", comenta.

Ela cita também a necessidade de ter uma escola democrática que fortaleça as relações interpessoais e de aplicar políticas públicas de formação permanente. Nunes Sobrinho corrobora a tese de que é preciso preparar os professores. "A mudança do cenário passa pela formação das pessoas, por começar a incorporar no currículo algumas questões de comportamento." O psicólogo dá um exemplo que presenciou: "Trabalhei em uma escola de periferia em que a criança levava um bilhete chamando o pai para uma reunião, e ela era espancada antes mesmo de o pai saber do que se tratava. Isso demonstra que a professora só trabalha com o lado negativo. O pai só é chamado para ouvir crítica. O professor ainda não aprendeu que tem de chamar o pai também para fazer elogios. Quando começaram a chamar alguns pais para elogios, as crianças queriam que os seus pais fossem chamados também".

Para Iône, há na atividade a sensação de que se dá muito, mas não se recebe nada em troca, o que provoca insegurança e desânimo. Ela acredita que o professor precisa de afeto para transmitir conhecimento. "Se ele não gostar dos alunos, não conseguirá transmitir nada." A psicóloga da UnB acha difícil estabelecer uma única linha de atuação para diminuir o burnout. "Se é uma síndrome de trabalho, teria de mudar a organização do trabalho dependendo das condições em que ocorre naquela comunidade". Ela esclarece que em uma cidade pequena, ainda que a infra-estrutura da escola seja inferior quando comparada à de um grande centro desenvolvido, a proximidade com a sociedade local acaba compensando e o professor fica menos exposto. "É mais fácil identificar fatores que protejam contra o burnout do que os causadores - controle sobre o trabalho, suporte social, ligação da escola com a comunidade, reconhecimento social."

55% dos professores brasileiros ouvidos em pesquisa da Unesco afirmaram ter problemas para manter a disciplina em sala de aula

Com uma abordagem menos voltada para a idéia de síndrome trabalhista, a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Sandra de Almeida, avisa que o professor se apresenta com uma expressão de grande sofrimento psíquico e um mal-estar visível. Ela baseia suas afirmações em pesquisas realizadas com docentes na complementação pedagógica para professores do magistério no Distrito Federal, dos quais "cerca de 20% têm licenças médicas motivadas por estresse".

Isso tem como conseqüência o absenteísmo, ou seja, os professores faltam muito. "Eles fazem pedidos de transferência para secretaria, fazem de tudo para não estarem presentes em sala de aula", relata. "Quando nada mais funciona, utilizam o recurso da licença médica."

Sobre as críticas de diversas secretarias de educação de que muitos professores querem licenças simplesmente para matar trabalho, a psicóloga retruca: "é claro que muito disso pode ser 'mais ou menos fingido', mas tem um valor psíquico para o sujeito. Por que ele se apresentaria como um sofredor? Podemos chegar à conclusão de que isso não se configura como depressão, mas pode ser um estresse".

Sandra destaca que o professor não é escutado no ambiente escolar. Na opinião dela, esse profissional convive muito tempo com os alunos e lida com demandas diversas e contraditórias e não tem com quem conversar. "Assim, o médico é a figura que pode ajudar e que, em último caso, pode afastá-lo da sala de aula, e isso pode aumentar ainda mais a sua angústia."

Vale a pena tentar entender o que aflige e adoece o professor brasileiro, esse indivíduo difícil de ser explicado. Afinal, segundo a pesquisa realizada pela UnB, esse trabalhador, com todos os problemas que enfrenta, ainda pertence a uma categoria que apresenta índices de satisfação profissional próximos de 90%.

(Fabiano Curi)




Leia a matéria na íntegra


1.4.07

Este texto de Paulo Freire nos mostra com bastante simplicidade que "não há saber maior ou saber menor", mas sim, saberes diferentes. Vamos pois, valorizar todos os saberes que nossos alunos trazem!








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  • 31.3.07

    Escola Eficaz

    COMO APERFEIÇOAR AS ESCOLAS PARA QUE MAIS ALUNOS
    APRENDAM MAIS

    Boudewijn A. M. van Velzen

    Nas últimas décadas tem-se debatido, em países do mundo

    inteiro, duas grandes questões:

    • Quais são as características das escolas eficazes?

    • Como aperfeiçoar as escolas menos eficazes?

    A primeira questão é importante porque precisamos saber o que

    devemos implementar nas escolas, se quisermos fazer com que

    mais alunos aprendam mais.

    Mas, respondida esta questão, a segunda torna-se vital, pois

    implica em identificar as medidas a serem tomadas, dentro das

    escolas e fora delas, para que sua prática passe realmente a

    promover o sucesso de todos.

    Refletir sobre os dois temas, portanto, é essencial para todos os

    envolvidos no esforço de aperfeiçoar a qualidade da educação.

    Neste artigo, apresentaremos uma descrição concisa das

    respostas que os pesquisadores vêm oferecendo a essas questões

    cruciais.

    1. CARACTERÍSTICAS DAS ESCOLAS EFICAZES

    Num estudo recente, REYNOLDS et al. (1996, p. 36-56)

    apresentam uma síntese das características de escolas eficazes,

    resultante da análise de um número considerável de pesquisas

    sobre eficiência das escolas.

    1. 1. ALUNOS MOTIVADOS

    Escolas eficazes são aquelas que conseguem motivar (quase) a

    totalidade dos seus alunos a aprender tanto habilidades básicas

    quanto metacognitivas.

    É importante despertar no aluno a vontade de dedicar o maior

    tempo possível a atividades de aprendizagem, fazendo uso

    intensivo das oportunidades de ensino que lhe são oferecidas. Isto

    evidencia que, no final das contas, o aluno é o fator determinante

    no processo. Um currículo sobrecarregado torna impossível a

    aprendizagem. Além disso, é necessário fornecer aos estudantes

    oportunidades concretas de aprenderem: materiais de estudo e

    livros atraentes e convidativos, por exemplo. O que nos leva

    automaticamente aos responsáveis pela oferta destas

    oportunidades de aprendizagem.

    1.2. PROFESSORES COMPETENTES

    Os professores, em sala de aula, são responsáveis pela

    implementação de elementos importantes elementos do

    currículo, tais como:

    • objetivos e conteúdo das lições claros e explícitos;

    • estrutura e transparência do conteúdo;

    •emprego de planos de aula;

    • avaliação sistemática dos resultados do aluno, oferecendo o

    feedback positivo e a instrução adicional.

    Além disso, eles podem decidir como agrupar os alunos na

    classe. É preciso lembrar que a eficácia destes grupos de trabalho

    depende, em muito, dos materiais diversificados que o professor

    utiliza, da maneira como é feita a avaliação, do modo como é

    oferecido o feedback e da forma como as informações

    suplementares são apresentadas.

    O currículo e as formas de agrupamento dos alunos, em si

    mesmos, representam apenas condições para o sucesso. O fator

    mais importante é o próprio professor, o ser humano que está à

    frente da classe. Ele pode exercer grande influência.

    Esta possibilidade, é claro, depende do sistema de ensino, do

    país e da escola em questão.

    Nem todos os currículos nacionais ou estaduais possuem

    objetivos claros, estruturam os conteúdos de forma transparente,

    prevêem emprego de planos de aula e avaliação dos resultados.

    Nem todas as escolas realmente envolvem desde o início os seus

    professores na realização de mudanças educacionais concretas. E,

    em muitos casos, o grande número de alunos por sala de aula

    limita as variações nas formas de agrupamento.

    No entanto, só o professor pode proporcionar:

    • uma organização calma e ordenada da classe;

    • uma forma inteligente de acoplar sistematicamente o trabalho

    da classe às lições de casa;

    O professor competente é essencial a qualquer proposta de

    educação em que se pretenda que mais alunos aprendam mais.

    Porém, todas as pesquisas demonstram que, sozinho, o docente

    pouco irá avançar. Ele precisa da escola.

    1.3. ESCOLAS COM OS NECESSÁRIOS REQUISITOS EDUCACIONAIS
    E ORGANIZACIONAIS

    Na escola são criadas as condições didáticas e organizacionais que

    permitem um bom desempenho do professor em sala de aula, com seus

    alunos. São condições educacionais importantes:

    • consenso entre a direção da escola e os membros do corpo

    docente quanto a métodos didáticos, material de ensino,

    formas de agrupamento, atitudes dos professores;

    • um sistema de avaliação dos resultados do aluno que

    facilite o seu acompanhamento durante todo o curso,

    evitando problemas ou corrigindo-os numa fase inicial.

    São condições organizacionais importantes:

    • cultura voltada à melhoria da eficácia do ensino, tendo como

    centro a aprendizagem do aluno e que se manifesta, entre

    outros aspectos, pela presença de coordenação/supervisão

    (liderança) e profissionalismo;

    • planejamento sistemático e bem concebido das atividades de

    aprendizagem, no qual o mínimo de tempo possível seja

    desperdiçado -por exemplo, combatendo as faltas de alunos e

    professores e estruturando melhor as aulas;

    • ênfase à construção de um ambiente calmo e ordenado na escola;

    • consenso entre a direção e os professores no tocante à
    missão institucional da escola, ou seja, o que ela pretende fazer, o por quê, como.

    Escolas eficazes dão muita importância à coerência entre os

    vários participantes da equipe escolar. Todo o pessoal (tanto a

    direção como os docentes) deve estar disposto a assumir a

    responsabilidade pela coerência da escola.

    Isto significa que a política de uma unidade escolar não pode

    ser modificada muito freqüentemente. Os professores e a

    direção precisam de tempo para se familiarizar com eventuais

    mudanças. Esta realidade colide às vezes com as idéias e os

    interesses da sociedade ou das autoridades. Evidencia-se, por

    outro lado, a importância do papel desempenhado pelos

    diretores das escolas no processo de inovação educacional.

    1.4. UM CONTEXTO ESTIMULADOR

    Uma escola (e com certeza uma escola pública) nunca está

    isolada no bairro, cidade ou região. A escola tem laços com as

    Diretorias de Ensino, com as Secretarias Estadual e Municipal

    de Educação, com o Ministério da Educação, com os Conselhos

    de Educação, com as autoridades, com outras escolas, com

    empresas e instituições. Chamamos a isto o contexto da escola, o qual pode

    contribuir para sua eficácia mediante:

    • uma política (nacional, estadual, municipal) visando

    especificamente aumentar a eficácia das escolas;

    • um método sistemático de avaliar e de testar a qualidade do ensino;

    • educação continuada, apoio aos docentes e à direção, visando à

    eficácia;

    • o financiamento diferenciado das escolas, com base nos

    resultados dos alunos (levando em conta os antecedentes e o

    meio social da clientela).

    Além disso, é o contexto que deve oferecer parâmetros para que

    se possa lidar com o tempo necessário ao ensino. E, por fim, o

    contexto pode promover a eficácia, proporcionando um bom

    currículo nacional/estadual e colocando à disposição os

    recursos a ele associados.

    Resumindo, podemos afirmar que os professores dispõem de

    muitas possibilidades para estimular os alunos a

    aprenderem mais, desde que a escola crie, de forma

    consistente, as condições didáticas e organizacionais necessárias.


    2. TORNANDO AS ESCOLAS MAIS EFICAZES

    Todo mundo quer que as escolas sejam eficazes. É bastante triste

    constatar que os alunos, depois de anos de escolaridade, não

    aprenderam nada, ou aprenderam coisas erradas. Em sua maioria, os

    docentes ficam muito frustrados quando, de repente, o aluno abandona

    a escola. Para o professor, cada desistência é uma decepção.

    Não obstante, a prática mostra que não é nada fácil concretizar

    uma educação eficaz em um grande número de escolas.

    Aperfeiçoar escolas é um processo complexo, que envolve muitos

    agentes em diferentes níveis: sala de aula, escola, Diretoria Regional,

    órgãos centrais da Secretaria de Educação, prefeituras, Conselhos.

    Estes agentes, em todos os níveis, deveriam
    colaborar uns com os outros.

    Reformas em grande escala, nas quais as escolas e os
    professores são considerados exclusivamente como agentes
    executores de uma política com a qual não se identificam, têm resultado em
    fracasso.

    Leia o texto na íntegra

    11.2.07

    No tempo em que os bichos falavam*



    Houve um tempo em que os bichos falavam, e eles falavam tanto que Esopo resolveu recolher e contar as histórias deles para todo mundo.

    Esopo era escravo de um rei da Grécia, e divertia-se inventando uma moral para as histórias que ouvia dos animais.

    Na verdade, nem todos os moradores do país eram capazes de entender a linguagem dos animais, mas Esopo era. Sobretudo dos pequeninos, que falavam muito baixinho, como por exemplo os ratinhos que moravam num buraco da parede da cozinha do palácio.

    Um dia, quando limpava o chão da cozinha, Esopo ouviu uns ruídos que vinham de dentro do buraquinho. Os ratinhos estavam muito agitados e preocupados pois, o rei havia colocado um gato grande e forte para tomar conta dos petiscos reais e o tal gato não era de brincar em serviço, já tinha devorado vários ratos.

    Esopo apurou os ouvidos e pôde ouvir tudo o que os ratinhos diziam:

    Um deles, muito espevitado, parecia ser o líder e, de cima de uma caixa de fósforos, discursava:

    — Meus amigos, assim não é mais possível, não temos mais paz e tudo porque o rei resolveu trazer aquela fera para cá. Precisamos fazer alguma coisa, e logo, porque senão esse gato vai acabar com a nossa raça!

    Era uma assembléia de ratos e todos estavam muito empenhados em solucionar o problema que os afligia: um gato, grande e forte, que o rei havia mandado colocar na cozinha.

    Já tinham perdido vários amigos nos dentes afiados da fera: o Provolone, o Roquefort, o Camembert e o pobre Tatá, o mais amado de todos.

    Planejaram, planejaram e não conseguiram chegar a nenhuma conclusão que agradasse a todos. Precisavam de estratégias eficazes e seguras.

    Uns achavam que deveriam matar o tal gato; outros diziam que era impossível: "Como matar uma fera daquelas?"

    Horácio estava quase convencido de que a sina de seu povo era morrer entre os dentes do gato. Com lágrimas nos olhos, já ia descendo da caixa de fósforos quando Frederico, um ratinho muito tímido que nunca falava, resolveu dar sua opinião:

    — Como vocês sabem, eu não gosto muito de falar, por isso serei rápido, mas antes vocês vão responder a uma pergunta: Por que esse gato é tão perigoso para nós, se somos tão ágeis e espertos?

    E Horácio respondeu:

    — Ora, Frederico, esse gato é silencioso, não faz nenhum barulho. Como é que vamos saber quando ele se aproxima?

    — Exatamente como eu pensei. Me perdoem a modéstia, mas acho que a idéia que tive é a melhor de todas as que ouvi aqui .Vejam só, é simples: Vamos arrumar um guizo, pode ser até aquele que pegamos da roupa do bobo da corte. Lembram? Aquele que achamos bonitinho e que faz um barulho enorme.

    Os ratos não estavam entendendo nada, para que serviria um guizo?

    Frederico tratou de explicar:

    — A gente pega o guizo e coloca no pescoço do gato. Quando ele se aproximar, vamos ouvir o barulho e fugir. Não é simples?

    Todos adoraram a idéia. Era só colocar o guizo que todos ouviriam o gato se aproximar.

    Todos os ratos foram abraçar Frederico e estavam na maior euforia quando, de repente, um ratinho que não parava de roer um apetitoso pedaço de queijo, resolveu perguntar:

    — Mas quem é que vai colocar o guizo no pescoço do gato?

    Todos saíram cabisbaixos. Como não haviam pensado naquilo antes?

    Era o fim da euforia dos ratinhos. Para Esopo, a moral da história era a seguinte: "Não adianta ter boas idéias se não temos quem as coloque em prática". Ou ainda: "Inventar é uma coisa, colocar em prática é outra".

    _______________________________________________
    Uma releitura de Esopo feita por Georgina Martins
    e ilustrada por Evandro Luiz


    Este texto propicia uma ótima reflexão para os dias de planejamento. Ele mostra que bons planos de aula só serão eficientes se por trás deles houver muita discussão, afinal, planejar é um construir e reconstruir coletivo, concordam?


    *Texto retirado da Revista Nova Escola edição 148 ( dezembro/2001)

    21.1.07

    É a Zona Sul!

    O Homem na Estrada
    Mano Brown

    Sua finalidade: a sua liberdade.
    Que foi perdida, subtraída;

    e quer provar a si mesmo que realmente mudou,
    que se recuperou e quer
    viver em paz, não olhar para trás,
    dizer ao crime: nunca mais!

    Pois sua infância não foi um mar de rosas, não.
    Na Febem, lembranças dolorosas, então.
    Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim.

    Muitos morreram sim, sonhando alto assim,
    me digam quem é feliz, quem
    não se desespera, vendo nascer seu filho no berço da miséria.

    Um lugar onde só tinham como atração, o bar,
    e o candomblé pra se tomar a benção.
    Esse é o palco da história que por mim será contada.

    ...um homem na estrada.



    Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo,
    porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio.
    Um cheiro horrível de esgoto no quintal,
    por cima ou por baixo, se chover será fatal.
    Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou.

    Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou.
    Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas.
    Logo depois esqueceram, filhos da puta!

    Acharam uma mina morta e estuprada,
    deviam estar com muita raiva.
    "Mano, quanta paulada!".
    Estava irreconhecível, o rosto desfigurado.
    Deu meia noite e o corpo ainda estava lá,
    coberto com lençol, ressecado pelo sol,
    jogado.
    O IML estava só dez horas atrasado.

    Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim,
    quero que meu filho nem se lembre daqui,
    tenha uma vida segura.
    Não quero que ele cresça com um "oitão" na cintura
    e uma "PT" na cabeça.

    E o resto da madrugada sem dormir,
    ele pensa o que fazer para sair dessa situação.

    Desempregado então.

    Com má reputação.

    Viveu na detenção.

    Ninguém confia não.

    ...e a vida desse homem para sempre foi danificada.

    Um homem na estrada...

    Um homem na estrada..

    Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual.
    Calor insuportável, 28 graus.
    Faltou água, ja é rotina, monotonia,
    não tem prazo pra voltar, hã!
    já fazem cinco dias.
    São dez horas, a rua está agitada,
    uma ambulância foi chamada com extrema urgência.

    Loucura, violência exagerada.
    Estourou a própria mãe, estava embriagado.
    Mas bem antes da ressaca ele foi julgado.
    Arrastado pela rua o pobre do elemento,
    o inevitável linchamento, imaginem só!
    Ele ficou bem feio, não tiveram dó.

    Os ricos fazem campanha contra as drogas
    e falam sobre o poder destrutivo delas.
    Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro
    com o álcool que é vendido na favela.

    Empapuçado ele sai, vai dar um rolê.
    Não acredita no que vê, não daquela maneira,
    crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo
    seu café da manhã na lateral da feira,
    Molecada sem futuro, eu já consigo ver,
    só vão na escola pra comer,

    Apenas nada mais, como é que vão aprender
    sem incentivo de alguém,
    sem orgulho e sem respeito,
    sem saúde e sem paz.

    Um mano meu tava ganhando um dinheiro,
    tinha comprado um carro,
    até rolex tinha!
    Foi fuzilado a queima roupa no colégio,
    abastecendo a playboyzada de farinha,

    Ficou famoso, virou notícia,
    rendeu dinheiro aos jornais, hu!,
    cartaz à policia
    Vinte anos de idade,
    alcançou os primeiros lugares...
    superstar do notícias populares!

    Uma semana depois chegou o crack,
    gente rica por trás, diretoria.

    Aqui, periferia, miséria de sobra.

    Um salário por dia garante a mão-de-obra.

    A clientela tem grana e compra bem,
    tudo em casa, costa quente de sócio.

    A playboyzada muito louca até os ossos!

    vender droga por aqui, grande negócio.

    Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim,

    Quero um futuro melhor, não quero morrer assim,

    num necrotério qualquer, como indigente,
    sem nome e sem nada,

    o homem na estrada.

    Assaltos na redondeza levantaram suspeitas,

    logo acusaram a favela para variar,

    E o boato que corre é que esse homem está,
    com o seu nome lá na lista dos suspeitos,

    pregada na parede do bar.

    A noite chega e o clima estranho no ar,

    e ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranqüilamente,

    mas na calada cagüetaram seus antecedentes,

    como se fosse uma doença incurável, no seu braço a tatuagem,
    DVC, uma passagem , 157 na lei...

    No seu lado não tem mais ninguém.

    A Justiça Criminal é implacável.

    Tiram sua liberdade, família e moral.

    Mesmo longe do sistema carcerário,
    te chamarão para sempre de ex presidiário.

    Não confio na polícia, raça do caralho.

    Se eles me acham baleado na calçada,
    chutam minha cara e cospem em mim é..

    eu sangraria até a morte...

    Já era, um abraço!.

    Por isso a minha segurança eu mesmo faço.

    É madrugada, parece estar tudo normal.

    Mas esse homem desperta, pressentindo o mal,
    muito cachorro latindo.

    Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal.

    A vizinhança está calada e insegura,
    premeditando o final que já conhecem bem.

    Na madrugada da favela não existem leis,
    talvez a lei do silêncio,
    a lei do cão talvez.

    Vão invadir o seu barraco, "é a polícia"!

    Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia,
    filhos da puta, comedores de carniça!

    Já deram minha sentença e eu nem tava na "treta",
    não são poucos e já vieram muito loucos.

    Matar na crocodilagem, não vão perder viagem,
    quinze caras lá fora,
    diversos calibres,
    e eu apenas com uma "treze tiros" automática.

    Sou eu mesmo e eu, meu deus e o meu orixá.

    No primeiro barulho, eu vou atirar.

    Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém,
    e o que eles querem: mais um "pretinho" na Febem.

    Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim,
    a gente sonha a vida inteira
    e só acorda no fim, minha verdade

    foi outra, não dá mais tempo pra nada... bang! bang! bang!

    Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos
    é encontrado morto na estrada do M'Boi Mirim sem número.

    Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais.
    Segundo a polícia, a vitíma tinha "vasta ficha criminal."








    Não sejamos românticos a ponto de imaginarmos
    que se cada um fizer a sua parte
    essa realidade poderá mudar e melhorar....

    Não sejamos pessimistas a ponto de achar
    que nada nunca mudará...

    Não sejamos indiferentes a ponto de ignorar o que está
    diante dos nossos olhos....

    Mas sejamos otimistas o bastante para não permitir
    que a omissão faça de nós cumplices deste sistema
    que define as relações pessoais e sociais
    em meras transações financeiras...





    15.1.07

    Como obter as publicações do INEP


    Já, já as férias terminam!
    Que tal começar a pensar um pouco na nossa formação? Uma dica bem interessante é adquirir as publicações do Cibec ( Centro de Informação e Biblioteca em Educação).

    Professores, estudantes e especialistas em educação podem adquirir por meio de doações do MEC, várias publicações da área educacional.Entre elas, estão as publicações disponíveis no Cibec.
    Cada professor pode receber até duas publicações mensais. Para isso basta fazer o cadastro e de posse de uma senha fazer o pedido dos livros , e entre 10 e 20 dias, irá recebê-los pelo correio.
    Só no ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do MEC ao qual o Cibec é ligado, enviou mais de 20 mil publicações a interessados que fizeram pedidos pela internet. Foram 10.913 encomendas enviadas, cada uma com até duas publicações. O envio é feito pelo setor de eventos da Coordenação de Distribuição Internacional do Inep.

    Antes de fazer o seu pedido é bom acessar o catálogo das publicações e conhecer os mais de 160 livros disponíveis.

    Boa leitura!!!

    10.1.07

    Site do Banco Central

    Moedas do Mundo


    Muito interessante este site do Banco Central! Você só precisa passar o mouse em cima de cada país para saber com quantos reais compraria a moeda local. Outra utilidade: dá para usar nas aulas de geografia pois ao passar o mouse pelo mapa aparece o nome do país representado.

    Dica


    O Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem nos últimos anos se dedicando à criação de um sistema de computação destinado a atender aos deficientes visuais. Foi assim que surgiu o Projeto DOSVOX - um sistema operacional que permite às pessoas cegas utilizarem um microcomputador comum (PC) para desempenhar uma série de tarefas, adquirindo assim um nível alto de independência no estudo e no trabalho. Pode ser baixado gratuitamente por qualquer usuário.
    É a tecnologia trabalhando a favor da inclusão!



    29.12.06

    Fases da Escrita

    O professor alfabetizador sabe o quanto é importante conhecer as fases de escrita pelas quais os alunos passam no início da aquisição da base alfabética.

    Porém, atualmente com a progressão continuada, não só o professor das séries iniciais do ensino fundamental mas também os demais professores precisam conhecer tais etapas.

    O vídeo a seguir se propõe a explicar de forma resumida as principais fases envolvidas neste processo.





  • Download da apresentação
  • 28.12.06

    Na corda bamba da economia


    Muitos de nós espanta-se com os gastos exagerados das pessoas nesta época de natal.

    Mas o x da questão, nesta onda desenfreada de hiperconsumismo pela sociedade, é capaz de ser mais complexo. E a questão legítima que se deve colocar é como chegamos até aqui? Ao mundo da individualização hiperconsumista em que as identidades pessoais e culturais se geram, adquirindo bens e mais bens.

    Aqui temos de recorrer à teoria sociológica que explica esta dinâmica catastrófica - para o indivíduo e para toda a sociedade - e referir que tal mudança é estimulada por um trio de forças: a tecnologia, as instituições e os valores. Descodificando: as ferramentas, as regras e os valores. E é aqui que nos encontramos, escravos de todas estas forças, para o melhor e para o pior. E infelizmente tenho percebido que estamos ficando com o pior.

    Daqui resulta já uma 1ª conclusão: é aquele trio de forças (tecnologia, instituições e valores) que nos formata a mente, e não o inverso, o que é perigoso. E assim resulta o abismo, a vertigem, a voracidade. É como se fossemos comidos, devorados pelos braços armados da tecnologia, pelo dinheiro, pelo brilho daqueles cristais e, ainda por cima, oferecendo um sorriso de cumplicidade, sinalizando que esse capitalismo mais que selvagem pode continuar o massacre neste jogo de morte consentida.

    Isso é muito estranho na medida em que hoje o Homem no mundo pós-industrializado é livre, já conquistou as tais ferramentas que lhe permitem controlar a Natureza, e viver as suas vidas independentemente dos caprichos do clima ou do ambiente - que também têm ajudado a estragar. Ou seja, vivemos numa fase em que é o Homem quem tem os comandos do processo de desenvolvimento, com as engenharias e as biotecnologias a ajudarem nesse comando global do mundo. Mas volto a dizer: quem parece estar no controle disso tudo não é o homem e sim o tal trio de forças. E assim as estatísticas fazem de nós, brasileiros, os mais gastadores (e pobres) entre os países em desenvolvimento. O que em si já é um paradoxo. Aqui se compra colares de diamantes por milhões de dólares e ao mesmo tempo morre-se de fome na maior cidade brasileira!

    Bem sabemos que a tecnologia empurra-nos para esse colete de forças, e de forma inconsciente obriga-nos a consumir. É o capitalismo de mercado na sua máxima expressão, nunca pede licença para nos arrombar o cofre dos neurônios e tocar nos botões que nos dá as ordens de compra, mesmo tratando-se de bens secundários.

    Em vez de ficarmos prisioneiros desta armadilha da tecnologia, das instituições (da publicidade) e dos valores consumistas que aquele trio nos incute - não seria melhor assumir de vez o controle por nossas atitudes e vontades independente do que possam pensar as outras pessoas? Creio que o progresso jamais deve ser encarado de forma mecânica e determinista, somos sempre nós que devemos controlar o processo de aquisição, e não o inverso como lamentavelmente hoje acontece. E o resultado está aí para todos verem. É o próprio progresso tecnológico que nos "ajuda" a afundar enquanto pessoas e enquanto agentes econômicos. Assim, ficamos sem cérebro e também mais pobres. E sem o direito de pensar e sem o dinheiro só nos resta fazer uma coisa: nos dirigir aos bancos e pedir mais dinheiro emprestado para pagar o que compramos de véspera.

    O que só parece beneficiar os banqueiros - que riem à toa. Não é isto admirável neste nosso mundo!!!



    26.12.06

    Avaliar: o quê? para quê? para quem?

    "Era uma vez...

    Uma rainha que vivia em um grande castelo.
    Ela tinha uma varinha que fazia as pessoas bonitas ou feias, alegres ou tristes, vitoriosas ou fracassadas. Como todas as rainhas, ela também tinha um espelho mágico.

    Um dia, querendo avaliar sua beleza, ela perguntou ao espelho:
    — Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?

    O espelho olhou bem para ela e respondeu:

    — Minha rainha, os tempos estão mudados. Esta não é uma resposta assim tão simples. Hoje em dia, para responder a sua pergunta eu preciso de alguns elementos mais claros.

    Atônita, a rainha não sabia o que dizer. Só lhe ocorreu perguntar:

    — Como assim?

    — Veja bem, respondeu o espelho. — Em primeiro lugar, preciso saber por que Vossa Majestade fez essa pergunta, ou seja, o que pretende fazer com minha resposta. Pretende apenas levantar dados sobre o seu ibop no castelo? Pretende examinar seu nível de beleza, comparando-o com o de outras pessoas, ou sua avaliação visa ao desenvolvimento de sua própria beleza, sem nenhum critério externo? É uma avaliação considerando a norma ou critérios predeterminados? De toda forma, é preciso, ainda, que Vossa Majestade me diga se pretende fazer uma classificação dos resultados.

    E continuou o espelho:

    — Além disso, eu preciso que Vossa Majestade me defina com que bases devo fazer essa avaliação. Devo considerar o peso, a altura, a cor dos olhos, o conjunto? Quem devo consultar para fazer essa análise? Por exemplo: se consultar somente os moradores do castelo, vou ter uma resposta; por outro lado, se utilizar parâmetros nacionais, poderei ter outra resposta. Entre a turma da copa ou mesmo entre os anões, a Branca de Neve ganha estourado. Mas, se perguntar aos seus conselheiros, acho que minha rainha terá o primeiro lugar. Depois,ainda tem o seguinte — continuou o espelho: — Como vou fazer essa avaliação? Devo utilizar análises continuadas? Posso utilizar alguma prova para verificar o grau dessa beleza? Utilizo a observação?

    —Finalmente, concluiu o espelho, — Será que estou sendo justo? Tantos são os pontos a considerar...”


    (adaptado de Utilization-Focused Evaluation. Londres, 1997, de Michael Quinn Patton)


    Pensando a avaliação nesse contexto percebo o quanto ela é importante e necessária nas escolas atualmente, uma vez que nos últimos anos tem se difundido muito uma concepção de escola autônoma e com gestão participativa. Porém, não me refiro aqui à avaliação da aprendizagem, aquela que todo professor faz com seu aluno. Mas sim, a avaliação da escola como um todo, ou seja, como se deu ao longo de determinado período, as relações, os encaminhamentos, enfim, dizer quais foram os entraves e os facilitadores do desenvolvimento do trabalho escolar. Isso significa avaliar para tomada de decisão,como diria Luckesi, são pontos de partida e não de chegada.

    Não queremos ser como a rainha que tinha a intenção apenas de constatar a sua beleza. Precisamos ser e agir mais como o espelho mágico, que é coerente com sua concepção e vê a avaliação como prática social, intencional e comprometida com uma visão de mundo.

    E finalmente, um recadinho para aqueles que se propõem a serem avaliados: estejam preparados para ouvir todas as opiniões, as boas e as nem tão boas assim, e principalmente, não se empolguem demais com os elogios a ponto de transformar-se na rainha que só quer constatar o que já existe e acima de tudo, não se melindrem com as críticas a ponto de transformar a avaliação em um mal estar geral!

    O segredo é aceitar tanto elogios quanto críticas de forma a transformá-los em reflexão comprometida com a melhoria das condições de trabalho, almejando assim, a tão sonhada educação de qualidade!

    25.12.06

    Brasil melhora alfabetização, mas ensino é ruim, diz relatório

    O número de jovens alfabetizados aumenta progressivamente no Brasil, mas a qualidade da educação continua entre as piores do mundo, mostrou um estudo divulgado na quinta-feira, 21.

    O Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2006, elaborado pela Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), indicou que, numa população de 35,5 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, somente 3,4% são analfabetos.

    O estudo da OEI, feito com dados oficiais até 2003, afirmou que a população de jovens analfabetos caiu em comparação aos 4,2% registrados em 2001. Em 1993, a taxa de analfabetismo entre os jovens brasileiros era de 8,2 por cento.

    "Observaram-se progressos. É alentador. Há menos jovens analfabetos, mas os 3,4% indicam que mais de um milhão de jovens vivem à margem das condições mínimas de acesso à cultura letrada", disse à Reuters o consultor da OEI e autor do trabalho, Julio Jacobo Waiselfisz.

    O analfabetismo vem caindo no país graças à universalização do ensino fundamental nos últimos anos.

    Os 1,137 milhão de jovens brasileiros analfabetos são, em sua grande maioria, pobres e negros, e cerca de 71% deles vive na região Nordeste. Com 187 milhões de habitantes, o Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, atrás somente da Nigéria.

    Waiselfisz observou que apenas dois Estados concentram um terço dos jovens analfabetos do Brasil: Bahia e Pernambuco.

    Ele indicou, no entanto, que o Estado em pior situação em termos proporcionais quanto a educação de seus jovens é Alagoas, onde 15,4% da população juvenil é analfabeta.

    O estudo, cuja finalidade é contribuir para a formulação de políticas públicas eficazes, apontou que Alagoas não acompanhou as conquistas obtidas pelo resto do País.

    O estudo da OEI apontou que, no Brasil, cerca de 97% das crianças entre 7 e 14 anos vão à escola. Mas a situação educacional da população juvenil não é boa.

    Cerca de 49% dos jovens entre 15 e 24 anos estudam, mas quase 17% deles estão no ensino fundamental. "(Eles) têm uma escolaridade defasada. Vão à escola, mas estão numa fase que não corresponde a eles", ressaltou Waiselfisz.

    A qualidade da educação do Brasil está entre as três piores do globo, ao lado da Indonésia e da Tunísia, segundo um estudo feito entre 41 países em 2003 e citado pela pesquisa da OEI.

    "Boa parte dos avanços quantitativos experimentados nos últimos anos está sendo comprometida pelos gargalos qualitativos do sistema educacional brasileiro", afirma o estudo.

    Fonte:

  • Estadão Educação
  • 24.12.06

    Estudo do UNICEF e MEC revela chave do sucesso de 33 escolas públicas brasileiras


    Boas práticas pedagógicas, professores comprometidos e com atitude positiva em relação às crianças, participação ativa dos alunos, gestão democrática e parcerias externas. Combinando alguns desses fatores, 33 escolas públicas brasileiras conseguiram melhorar a qualidade da educação de seus alunos, garantindo acesso, permanência e sucesso escolar. Os resultados de seu trabalho estão no estudo Aprova Brasil, o direito de aprender, divulgado hoje pelo Ministério da Educação e UNICEF.

    Os resultados do estudo apontam para uma soma de fatores que ajudaram a garantir a qualidade da educação:

    1. As práticas pedagógicas - envolvem formas de trabalho, projetos de ensino, uso e produção de materiais didáticos, processos de avaliação e recuperação continuados da aprendizagem dos alunos. Elas vão desde atividades criativas que aproximam os conteúdos e a vida das crianças até o acompanhamento e apoio permanente para alunos com dificuldade de aprendizagem.

    2. A importância do professor – nas escolas pesquisadas, foram identificadas boas práticas relacionadas com o compromisso e a atitude do professor, bem como a valorização da sua formação inicial e continuada. Os professores respeitam e incentivam as crianças, são criativos e buscam se capacitar.

    3. Gestão democrática e a participação da comunidade escolar - foram identificadas práticas de democratização da gestão e de incentivo à participação dos diversos atores da escola nas decisões e na implementação de iniciativas vinculadas à vida escolar.

    4. A participação dos alunos na vida da escola - os alunos são ouvidos nos processos de decisão sobre a escola, sugerem atividades em sala de aula, ajudam seus colegas com dificuldades de aprendizagem, mantêm jornais e rádios escolares.



  • Leia o documento na íntegra
  • 16.12.06

    Escolas Gaiolas e Escolas Asas


    “Há escolas que são gaiolas
    e há escolas que são asas.

    Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

    Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”
    (Rubem Alves)
    Sem comentários...


    15.12.06

    Lições Práticas



    Socialismo:
    Você tem 2 vacas. O governo toma uma e dá para seu vizinho, que não tinha nenhuma.

    Comunismo:
    Você tem 2 vacas. O governo toma as 2 e dá a você um pouco de leite diariamente.

    Fascismo:
    Você tem 2 vacas. O governo toma as 2 e vende a você o leite.

    Nazismo
    Você tem 2 vacas. O governo mata você e toma as 2 vacas.

    Burocracia de Estado:
    Você tem 2 vacas. O governo toma as 2, mata uma e joga o leite da outra fora.

    Democracia:
    Você tem 2 vacas, vende as 2 para o governo, muda de cidade e consegue um emprego público.

    Anarquismo:
    Você tem 2 vacas, mata as duas e faz um churrasco.

    Capitalismo Selvagem:
    Você tem 2 vacas. Vende uma, compra um touro e o governo toma os bezerros como imposto de renda na fonte.

    Neoliberalismo:
    Você tem 2 vacas. O governo se apropria das duas, se endivida e as vende baratinho para os gringos, devolvendo a dívida para você. E você ainda paga um absurdo pelo leite que era seu.

    Segregação dos jovens pobres no Brasil


    O professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Rubens Adorno, fez severas críticas à forma como são tratados os jovens pobres no Brasil: “As políticas públicas para a juventude no Brasil estão a favor da desigualdade social e da divisão de classes. As novas políticas têm nos feito engolir que o jovem deve permanecer o dia inteiro na escola ou o dia inteiro em seu bairro, como uma forma clara de confiná-lo longe dos espaços centrais da cidade".

    Segundo Adorno, o que se pretende ao criar políticas educacionais que mantêm os alunos na escola o dia todo e aos finais de semana, é simplesmente tirar o jovem de circulação da cidade para mantê-lo segregado na periferia. Para ele, essas políticas impedem que o cidadão percorra outros espaços públicos além da escola.

    Maria do Carmo de Menezes, socióloga e ex-diretora do Serviço de Segurança e Prevenção da Criminalidade na prefeitura de Champigny-sur-Marne (França), mostrou aos participantes do Seminário “Juventude, Violências e Políticas Neoliberais”que na França isso já acontece. As periferias são completamente distantes dos grandes centros e, embora os espaços sejam bem mais humanos e esteticamente mais agradáveis do que as favelas do Brasil, a violência e a exclusão social são presentes da mesma forma. "A estratégia de colocá-los em um espaço afastado da cidade foi completamente eficiente no sentido de segregá-los ainda mais e aumentar a revolta e a violência", conta.

    Para Maria do Carmo, o que gerou mais violência na França foi o modelo de moradias populares, pois este foi marcado pelas diferenças sociais, étnicas e culturais.

    Adorno afirma que as políticas sociais em todo o mundo são voltadas para essa realidade e são perversas porque fazem com que a população acredite que isso é o melhor para ela. "No Brasil, a população não se rebela como na França justamente por acreditarem que essa é a melhor política para eles". Ele afirma, no entanto, que os jovens se sentem discriminados e envergonhados por viverem nessas regiões. "Isso acaba sendo um agravante a mais para que esses se tornem vitima de discriminação e violência, sobretudo violência policial", comenta.

    Outra crítica feita pelo professor Adorno é em relação ao uso e ao tráfico de drogas.Segundo ele, as leis que coíbem o tráfico só permitem que ele seja mais rentável para os traficantes, já que eles acabam cobrando o que querem dos usuários.

    Além disso, o palestrante afirma que a atual política, que pune gravemente o traficante e é compreensiva com o usuário, não é efetiva no combate ao crime organizado e em relação à dependência química no país. "Essa política existe para amparar os filhos da classe média, permitindo que eles possam comprar sua droga em paz, enquanto os moradores das favelas são severamente punidos quando encontrados com substâncias ilícitas, sob a justificativa de tráfico", diz.

    Precisamos discutir muito a esse respeito nas escolas e a partir dessas discussões assumir uma posição, tomar um partido e é claro... fazer a diferença!

    14.12.06

    O Futuro dos nossos jovens

    Hoje 39,2 jovens brancos e 68,4 jovens negros e pardos a cada 100 mil são mortos em todas as regiões brasileiras. "É uma situação de caos social. É genocídio," apontou a pesquisadora e executiva do Observatório Ibero-americano de Violência nas Escolas (OEI), Miriam Abramovay.

    De acordo com pesquisa quantitativa e qualitativa desenvolvida no OEI, os jovens são vistos como atores sem identidade própria, criminalizados e avaliados por uma visão dualista e maniqueísta. "Eles são ou responsáveis, ou irresponsáveis. São o futuro ou o irrelevante. Os esforçados e os preguiçosos. Em suma, são compreendidos como um rito de passagem. Ser jovem é não ser mais criança e não ter autonomia financeira para ser um adulto. Eles não têm espaço presente para existir, são pré-adultos", explicou a pesquisadora.

    Abramovay observou que a juventude é vista como uma massa uniforme, na qual não há individualidade e espaço para ser diferente. Negros e brancos, homens e mulheres, classes sociais distintas são todos emaranhados na criação das políticas públicas e ações de estado.

    "Embora todos os jovens tenham muitos pontos em comum, não é possível observarmos que não existem diferenças discrepantes na construção do tecido social brasileiro. Diferenças que devem ser vistas e respeitadas pelos governos e entidades. O jovem que mora no Jardim Ângela (bairro paulistano que já foi considerado o mais violento do mundo) não tem a mesma vida e as mesmas características de juventude que aquele que mora em Higienópolis (bairro nobre da cidade de São Paulo)", explicou.

    A mesma pesquisa aponta dados significativos para compreender o porquê dos altos índices de violência simbólica, institucional e física manifestarem-se tão significativamente na faixa dos 15 a 29 anos. Mais da metade deles cursou somente até a 4ª ou 8ª série do ensino fundamental, cerca de 18% não estudam e um total de 506.669 mil jovens pararam de estudar antes de completarem 10 anos.

    Para a pesquisadora, a globalização cultural e o mercado das relações capitalistas são pontos centrais para a discussão da violência. Os jovens de baixa escolaridade e com pouquíssimas chances de mobilidade social também são vítimas da oferta globalizada de consumo e poder. "O tráfico torna-se um claro espaço de inserção. O jovem busca identidade grupal e busca algo que possa lhe dar retorno financeiro para que ele possa comprar a blusa, a calça e o tênis da moda. Ele é tão vítima dessa indústria quanto o jovem de classes mais altas que podem pagar pelo consumo desses bens e da própria droga que também consomem," apontou.

    De acordo com o trabalho de Abramovay, os principais desafios para os governos e entidades hoje é compreender que vive-se em calamidade social. E, para saldar esses danos, é preciso ouvir o que eles pedem. "Os pontos foram muito claros. Há imensa dificuldade de acesso à educação, pouquíssimo estímulo para que eles permaneçam na escola, o modelo educacional é classista e de baixíssima qualidade, impedindo que ele tenha, minimamente, as ferramentas de competir no mercado formal de trabalho. Além da própria falta de empregos e de espaços culturais, esportivos e de lazer," observou.



    Natal é a época ideal para a gente exagerar no espírito de solidariedade, carregar até não poder no afeto e na compreensão, apertar com delicadeza os laços de amor para fazer nosso mundo
    melhor hoje e sempre!

    3.12.06

    "Ensinar não é transferir conhecimentos e conteúdos, nem formar é a ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um copro indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças, não se reduzem à condição de objeto um do outro.
    QUEM ENSINA APRENDE AO ENSINAR E QUEM APRENDE ENSINA AO APRENDER."
    (Paulo Freire)

    É nesse sentido que o aluno é sujeito de sua própria trajetória no processo de aprendizagem. Não adianta querer homogeinizar toda uma classe para que tenham supostamente as mesmas reações diante dos conteúdos. Cada aluno é uma vida que se coloca com suas preferências, suas dificuldades, seu rítimo e principalmente seus sonhos. E isso professor nenhum tem direito de mudar!